sábado, 18 de maio de 2013

Sobre estudantes, carros e a ordem social.


Tenho muito orgulho de, faz 18 anos, ser estudante. Sempre tive. Não sei se é fruto de uma inclinação natural ou de algo construído socialmente, mas esse sentimento sempre se fez presente na minha vida, de 23 anos. Mas, não tenho orgulho da classe como um todo.

O corporativismo é uma das características mais definidoras da identidade de grupo. Quando fazemos parte de uma “organização social” tendemos, consciente ou inconscientemente, a defendê-la, até, de modo irracional. Sempre temos na manga algum bom argumento para usar, quando somos atingidos. E os que criticam também terão argumentos. Faz parte do jogo social, da dialética do convívio em sociedade.

A grande questão é analisar a quem serve nossa defesa. De qual lado nós estamos. Observem, não estou fazendo uma crítica ao capitalismo, nem defendendo o socialismo. Porém, é fato inegável a imensa estratificação social e política ordenadora das nossas relações sociais. Por mais convencedor, o ideal democrático é, em essencial, inviável num sentido estrito. Quem nos representa? Os reacionários dirão que somos nós os culpados, até por que fomos nós quem os colocamos no poder.  Eu diria que somos massa de manobra. E, aí de nós, se não formos.

Claro, “nós” é muita gente (o erro de concordância foi proposital). Tem gente que não é. Esses são os que sofrem por tentar abrir os nossos olhos. Apanham para depois nos regozijarmos dos nossos “direitos adquiridos” no conforto da nossa vida corrida e estressante. Por vezes, chego a pensar que existe sim um grande plano de aniquilação da liberdade humana. Gente que articula, planeja, orquestra ações e estratégias para retirar a nossa capacidade de tomar decisões. A maquiagem é tão forte que chegamos a pensar que decidimos e não percebemos que eles decidem por nós. Decidem onde devemos pisar, por onde devemos passar e de que lado da rua andar. Decidem, até, que podemos decidir.

Mas, voltemos aos estudantes. Como é difícil se desvencilhar dessa rede de acordos e amarras. Louvados sejam os que conseguem ver além do que está imposto. Louvados sejam os que assumem sua identidade de grupo e não se deixam enganar pelos discursos midiáticos e mantenedores da “ordem”. Hoje em dia, poucos são bem aventurados, a maioria não está nem aí. Prendem-se ao ideal romântico-burguês da vida tranquila e nem de longe conseguem se abster de pensar no “eu”. Estão do lado de lá.

Quando podemos dizer que nossa liberdade foi cerceada? Qual o limiar entre a imposição da força, pela força, e a manutenção da ordem? Aliás, a que serve a ordem? Claro, o convívio social necessita de uma organização. O problema é quanto tentam criar uma linha de montagem, na qual ninguém pensa no depois. Ninguém pensa no que vem antes. Colocam a roda do carro e não importa quem vai colocar o retrovisor. Que utopia essa minha. Vivemos num mundo, no qual a única pessoa importante é quem vai dirigir. E, pode ter certeza, vão te fazer acreditar e vão querer te convencer que você pode dirigir também. Mas aí, você será, apenas, mais um.

Eles nos ensinam a dirigir, mas criam ruas, colocam sinais, faixas, guardas, apitados, impõem limites de velocidade, fazem até faixa para pedestre. É para nossa segurança. É para que nos seguremos. Não teríamos discernimento se não fosse assim. Precisamos disso.

 E assim os estudantes acabam perdendo a capacidade de pensar fora do circuito. De adentrar  pelas estradas de barro. Prendem-se ao asfalto. Com medo de descobrir que, por baixo dele, tem terra batida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário