segunda-feira, 13 de maio de 2013

Nas portas da indecisão.


Fui pra Ribeira. Domingo. Circuito Cultural. Para quem não sabe a Ribeira é o bairro mais antigo de Natal, digamos que o berço dessa cidade quase quingentésima. Percorrem esse dito circuito os mais diversos tipos de pessoas. Roqueiros, os que curtem reggae, funk, samba, música eletrônica, além dos intelectuais e de muitos indefinidos. Só para não esquecer, tem os maconheiros que estão em todos esses grupos, felizmente.

Ao contrário do que o estereótipo construiu os mais bem educados (“intelectuais”), doutos e cultos são os menos interessantes e educados (relevem minha generalização preconceituosa). Eles costumam sentar num café, com ares de elite francesa, regado a música clássica e pose de leitores absortos e superiores aos demais grupos que, ironicamente, frequentam o mesmo ambiente.

Fui de preto, camisa preta, calça jeans um pouco velha e um all star. Os meus amigos e a minha namorada também, nesse mesmo estilo. Nem sou tão roqueiro assim, mas achei mais prudente ir vestido ao estilo.

Para não tornar o texto descritivo demais, vou direto ao ponto: fui vítima de um dos maiores insultos da minha vida. Uma dessas frequentadoras que, aparentemente, ´parecia fazer parte daquela elite, teve a ousadia de dirigir-me a mim nos seguintes termos: “... a porta não é um bom lugar para ficar indeciso”... , num tom tão áspero e inquisidor que, imediatamente, tentei revidar. Ela, porém, foi mais rápida, imagino eu por conhecer muito bem aquele espaço, e, num piscar de olhos, sumiu, sem dar-me o direito da réplica.

A indignação deu-se tanto pela má educação, quanto pela ousadia em falar sobre a minha indecisão. Ora, eu já passei por três cursos de graduação para, finalmente, decidir sobre o correto; já morei em quatro cidades; já pertenci a grupos religiosos, hoje não frequento mais a igreja; já gostei de Padre Marcelo Rossi e, hoje, escuto Android Sem Par; como ela descobriu que sou indeciso só por me ver, 5 segundos, parado na porta? Ela não podia ter dito isso. Não tinha o direito.

Além disso, a indecisão faz parte da natureza humana. Ela devia saber que, também, é indecisa. Deve ser aquela coisa de criticarmos nos outros o que temos em nós. Deve ser isso mesmo.

No Eletro Cana (um barzinho bem “barra pesada”) ninguém me criticou pela minha indecisão em entrar. Da próxima vez, não me aproximarei mais daquela “elite”. Eles têm cheiro de elite, gostos de elite e devem ser muito decididos. Gente decidida não está com nada. Vê-se pelo exemplo dessa garota.

No mais, é um evento que recomendo. As pessoas precisam ver pessoas diferentes, só assim, talvez, elas passem a pensar diferente e quem sabe, um dia, não critiquem os outros por serem indecisos. Respeite a minha indecisão que eu respeitarei seu nariz arrebitado.


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