Não sei falar sobre temas sérios. Fico tentando, tentando,
mas é muito chato. É aquela velha coisa de ter argumento, ser persuasivo que
aflige minha mente dispersa e hiperativa. São muitos porquês, muitas razões,
muitas ilustrações. Estas são as piores, só dificultam. A habilidade que me
falta de compreender imagens é algo irritante. Passo horas, dias, meses, anos
até algumas fazerem sentido.
Mas aí dizem que o sentido quem atribui somos nós. É o seu
eu. Sinto-me pior ainda. Eu não tenho a capacidade de atribuir sentido? Como
assim? Meu polegar opositor está aqui, meus giros e sulcos cerebrais estão
todos (pelo menos espero) no canto certo.
Os artistas são essas pessoas incríveis. Por muitas vezes
chego a acreditar que quem não tem o cérebro funcionando direito são eles. Eles
pensam umas coisas estranhas. Cantam umas coisas estranhas. Escrevem coisas
mais estranhas ainda. E, quando desenham, conseguem nos chocar ainda mais. Não
sei de onde surge essa capacidade/habilidade, muitos menos se será possível,
algum dia, determiná-la. É coisa sobre humana mesmo, no sentido mais literal
das palavras. Um misto de autismo com criatividade e uma dose, enorme, de
autenticidade. Arrisco essa receita.
Deve ser muito bom viver em um mundo no qual a autodeterminação
é a única lei. Esse povo deve viver assim, senão como eles conseguiriam ver
essas coisas que eu, mero mortal, não consigo? Ainda bem que existem as notas
de rodapé. Elas me elevam, em parte. Eu só consigo ver o que está escrito lá. Nada
mais. Fico nesse “vazio artístico”.
Aí, me refugio no seguro. Procuro a única das artes capaz de
despertar, em mim, uma significação.
Tenho inveja dos artistas, dos pintores, dos cantores, dos
escritores, dos instrumentistas e das pessoas criativas. Porém, em certos
momentos, tenho mais inveja, ainda, de quem consegue compreendê-los. Ver o que
está implícito (e até explícito) nas suas obras.
No fundo meu único argumento é esse: precisamos de mais
educação artística e menos educação religiosa.
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