Tem certos textos que não podem
esperar. Eles ficam perturbando o nosso pensamento, nossa mente e não suportam,
nem por um dia, a expectativa de sair dessa tão angustiosa morada que é o nosso
universo consciente. Vem de não sei onde e não tem um destino certo. Perambulam
pelas nossas atividades diárias e correm para o papel assim como corremos da
chuva à procura de um lugar seguro, seco e que nos proteja do resfriado
vindouro.
Eu fico imaginando como deve ser
difícil a vida de quem não tem a experiência do ler, da leitura. Não, o texto
não é sobre analfabetismo. Deve ser complicado viver num mundo alheio ao
encantador universo das letras. Restringir os seus dias da indescritível experiência
de ser leitor.
Não lembro exatamente com quantos
anos comecei a ler. Minha memória é
cheia de imprecisões. Mas, lembro-me da sensação, de uma quase euforia ao conseguir
decifrar aquelas enigmáticas sequências de letras. Daí por diante, não sei
como, aquilo passou a fazer parte de mim. Na adolescência então, foram muitas
horas dedicadas aos livros.
Agora, quando o assunto é
escrever, a conjuntura muda completamente. Apesar de sempre ler, nunca consegui
alcançar o mesmo nível de realização ao escrever. Retirando aqueles “deveres de
casa” quase nunca, espontaneamente, me dediquei à escrita. Claro, são coisas
completamente diferentes.
Geralmente, não gostamos do que
escrevemos. É preciso ter muita autoestima para concluir um parágrafo e não achá-lo
tão cheio de defeitos quanto você mesmo. Deve ser por isso! É culpa dessa velha mania de perfeição que nunca se concretiza;
esse ideal de eu que, sorrateiramente, escorrega para a análise que faço das
minhas palavras e tropeça ao perceber a distância entre os meus
pensamentos e o modo com que são expressos
nessa linguagem.
Por isso, é preciso ir devagar
com essa vontade de divagar. Escrever não é tão “fácil” quanto ler. Escrevemos
o que pensamos e, em muitas das vezes, nem o que pensamos está claro. É a tão
encantadora e, ao mesmo tempo, perturbadora querela da vida; a velha dialética.
Esses grandes escritores são pessoas iluminadas. Consigo ver uma aura de
sabedoria, um quê de superioridade que causa uma inveja em nada branca.
Mas, às vezes, a inspiração vem.
Não sei como, mas chega. Precisamos aproveitar essas raríssimas oportunidades.
É assim em quase tudo na vida. Só precisamos ter papel, caneta e contar com a
criatividade, porque a borracha, essa nem sempre é possível utilizar.
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