sábado, 20 de abril de 2013
Sobre parafrasear.
As palavras nem sempre correm soltas. Por muitas vezes elas prendem-se, escondem-se, num convite ao desprendimento/encontro. Comunicar-se nem sempre é uma tarefa fácil. Faz-se necessário parafrasear.
Gosto de pensar que as baleias podem ficam bêbadas; que podem surgir flores no asfalto; que os dinossauros podem explicar a existência do amor; que dizer palavras repetidas é uma sina. A autenticidade é uma conquista difícil. É preciso lidar com muitos "eus" para deixar que um se sobressaia. Isso não é esquizofrenia. Até pode ser, quando analiso que imaginar baleias bêbadas talvez me exclua do critério de normalidade.
Quem já não quis ficar meia hora sem pensar em nada? Quem já não quis pensar algo novo, algo inédito? Mas, é como se estivéssemos sempre parafraseando. A paráfrase extrapola os limites textuais e torna-se intrínseca aos nossos pensamentos, visões de mundo. Sempre com toque de novidade. Só um toque, tão sutil e, por isso, impercebido.
E nos acusam por parafrasear. Nos julgam. É quase um crime doloso. Caso me fosse dada a capacidade de decidir entre pensar o novo e pensar o velho, preferiria pensar o velho. Os pretéritos são mais bonitos. Eles podem ser perfeitos, imperfeitos, mais que perfeitos - "Eu pensei que pensava algo novo quando pensara em mudar o mundo" -. Até nisso, fiz paráfrase: meu mundo novo não era mais que a mera reprodução dos muitos "mundos novos" já pensados.
E a nossa mente? Podíamos usá-la como o local mais propício a autenticidade. Porém, muitos plágios acontecem. Pobre do nosso ego, sempre tentando traduzir o nosso "desejo" em algo compreensível, colocando em outras palavras, parafraseando.
E assim seguimos. Reinventando o que já foi inventado. Quando descobrirem um modo de livrar-nos desse "inescapável" destino, por favor, não me digam. Não teria criatividade o suficiente para reinventar tudo de novo. Além disso, haveriam muitas mortes no mar; os carros atropelariam as flores e os dinossauros dominariam o mundo. Sem contar, que todo dia teríamos que inventar novas palavras.
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Um retalho cultural. Muito bom texto!
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