quinta-feira, 18 de abril de 2013

Resolvi criar um blog. Não a muitos pedidos. Sempre tive um desejo meio que velado de escrever. Não sei exatamente sobre o que ou para quem. Mas, no fundo, o que importa é a mensagem. A universalidade (olha só que pretensão a minha!) de um conteúdo ultrapassa público alvo e estabelecer um destinatário limita.

Como não gosto muito de metalinguagem (depois escreverei alguma coisa sobre o título do blog), vou direto ao tema: cidades.

Sempre me questiono qual o limite de uma cidade. Até que ponto ela existe como de fato a percebemos.Elas existem por si mesmas? Na Idade Média existiam muros que delimitavam-nas. Os muros já não existem. Talvez seja por já ter morado em 4 e parecer que continuo morando em todas até hoje. Fisicamente impossível e e totalmente desprovido de racionalidade é esse pensamento. É como se cada uma com suas características, com seus odores, com suas sutilizes me acompanhassem por onde ando. Arrastar quatro cidades nas costas não é fácil. Por isso, sempre tento me livrar de alguma, deixar para trás um pouco dessas extensões quilométricas de sentimentos e lembranças. Também não é fácil deixar pedaços  pelo caminho. É uma parte que se torna todo e passa a fazer falta.

Elas tem pontos em comum. Todas tem suas belezas, seus problemas, suas contradições, suas peculiaridades. E a descrição anterior já não parece mais a de uma cidade. Já fugi do tema auto imposto e, sutilmente, descrevi uma pessoa. Uma pessoa pode ser descrita como  uma cidade? Uma cidade pode ser descrita como uma pessoa? Como o todo pode descrever uma parte e a parte pode descrever um todo?

Caetano diz que Rita Lee é a melhor tradução de São Paulo. Uma conquista digna dos maiores louvores a dela. Eu quero, quem sabe um dia, poder ser a tradução de algum lugar. Na verdade, não quero. É muita responsabilidade; não sou comprometido o bastante. Minha polaridade não me permite ser cidade e pessoa ao mesmo tempo. É melhor deixar isso pra quem é bipolar, senão, corro o risco de me tornar também.

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