terça-feira, 23 de abril de 2013

Manual Normativo de Redação Técnica


Quero escrever um texto grande. Mas, sempre surge a questão do que falar. O medo de não ter conteúdo o suficiente. O fantasma da repetição. O perigo da obviedade e das redundâncias.

Para escrever um texto grande são necessários muitos argumentos, muitas letras, muitas palavras, muita correção ortográfica, muitas vírgulas e muitos pontos. É difícil pontuar. É uma daquelas tarefas que apesar das mais diversas repetições sempre causarão dúvidas. Nunca será um conhecimento completamente implícito, como andar de bicicleta ou dirigir (cousa que também não sei). Quando você pensa que pegou o jeito da coisa, uma vírgula inoportuna aparece no local inapropriado e seu ego vai embora junto.

Geralmente os textos longos são o resultado de uma ampla investigação e abordam um tema específico com muitas considerações e reconsiderações. Tem uma pesquisa por trás. É complicado escrever duas ou três laudas tendo como referencial apenas ideias “próprias”. Dizem que cansa o leitor. É melhor ser claro, rápido e objetivo. A prolixidade tem sido tão combatida quanto o pior dos pecados. Concisão, clareza, linguagem fluida, seguimento da norma culta e, acima de tudo, capacidade de fazer-se entender. Parece até que é fácil para um ser humano normal fazer isso.

Seres humanos normais são redundantes. Eles vão e voltam para o mesmo assunto diversas vezes, algumas com a mesma forma, outras de forma diferente. Além disso, eles não primam tanto por se fazerem compreender, apesar da necessidade que tem de serem compreendidos. 

Temos dado uma ênfase muito grande aos aspectos estéticos das coisas. A dicotomia forma-conteúdo nunca esteve tão presente. É por isso que estilos musicais com escalas menos complexas, melodias simples, quase tão diretas quanto uma bula de remédio fazem tanto sucesso. Depois vem culpar o povo brasileiro de não ser aculturado. Claro que não podemos. Os clássicos são livros grandes, não são objetivos. Dentro da perspectiva atual são mal escritos. Ninguém tem tempo para ler Hamlet.

É por isso que não sei mais como me comportar em livrarias. Sinto-me julgado pelas sessões que frequento. Na de literatura clássica serei taxado de saudosista, pedante. Na de auto-ajuda, as pessoas saberão que preciso de ajuda. Na de livros técnicos, isso pra mim não é literatura. Na dos romances modernos, serei considerado fútil e desaculturado.  E sempre tem aqueles olhares curiosos, dos curiosos. Leitores são pessoas atentas. Um bom leitor não se prende a forma. 

O texto ficou mediano. Minha ideias já se exauriram e consegui terminá-lo sem muitas divagações filosóficas.   No próximo, falarei sobre um assunto polêmico. Vou começar logo a pesquisa" Até por que, em assuntos dessa envergadura, o que pensamos não vale muita coisa quando comparado às análises estatísticas do IBGE. Mas, depois me pedem para dar minha opinião embasada. Quando embasada, ela deixa de ser minha.

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